quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Superterra tem atmosfera rica em água, diz estudo


05/09/2013 - 03h12

Superterra tem atmosfera rica em água, diz estudo

PUBLICIDADE
 
SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ouvir o texto
Um grupo de astrônomos diz ter detectado a assinatura da atmosfera de um planeta que não tem análogo no Sistema Solar. E ela seria rica em água.
O trabalho foi liderado por Norio Narita, do Observatório Astronômico Nacional do Japão, e usou dois instrumentos do Telescópio Subaru para investigar uma superterra ao redor da estrela anã vermelha GJ 1214, localizada a 40 anos-luz da Terra. Infelizmente, esse mundo é quente demais para abrigar vida.
As superterras são planetas com tamanho intermediário entre os menores gigantes gasosos do Sistema Solar (Urano e Netuno) e os maiores planetas rochosos (Terra e Vênus).
Como não há correspondente em nosso sistema planetário, os astrônomos têm vários modelos de como podem ser esses mundos. Agora, com essa nova observação, eles parecem ter mais segurança de que não se trata de uma versão em miniatura de Netuno.
"Se fosse igual ao nosso Netuno deveria ter mais hidrogênio", afirma Cássio Leandro Barbosa, astrônomo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) que não se envolveu com a pesquisa.
Divulgação/NAOJ
Concepção artística da estrela Gliese 1214, em azul, com o planeta GJ 1214b passando à sua frente, em preto
Concepção artística da estrela Gliese 1214, em azul, com o planeta GJ 1214b passando à sua frente, em preto
TRÂNSITO
Os pesquisadores têm a chance de analisar a atmosfera do planeta porque ele passa à frente de sua estrela periodicamente, num fenômeno conhecido como trânsito.
A luz da estrela, ao passar de raspão pelo invólucro gasoso daquele mundo, carrega sua "assinatura", que pode ser analisada pelos cientistas.
Contudo, não é fácil distinguir suas particularidades. O que os cientistas conseguiram ver é que não ocorre um espalhamento da luz que seria esperado se a atmosfera fosse rica em hidrogênio.
Sobra, portanto, o modelo que se apoia na grande presença de água. Mas os dados ainda não sugerem isso com absoluta confiança.
Por isso, os pesquisadores pretendem continuar observando, na esperança de obter mais medições que confirmem essa conclusão. O trabalho foi publicado no "Atrophysical Journal".

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Uma visita alienígena é mais fácil do que se pensava


Uma visita alienígena é mais fácil do que se pensava

Por  em 28.07.2013 as 13:00
k-bigpic
Um novo estudo sugere que, usando tecnologia avançada e efeitos gravitacionais, as vastas distâncias do tempo e do espaço podem ser superadas dentro das leis da Física, permitindo um contato imediato com uma facilidade surpreendente.
Usando o efeito estilingue para impulsionar sondas autorreplicantes através do espaço interestelar, uma civilização extraterrestre avançada deve ser capaz de visitar todos os cantos da galáxia em um surpreendentemente curto espaço de tempo. O Paradoxo de Fermi está de volta: a aparente contradição entre as altas estimativas de probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências para tais civilizações ou o contato com elas.

Taxa exponencial de expansão

A hipotética sonda autorreplicante (SRP), ou sonda Von Neumann, é uma ideia que tem sido pensada desde a década de 1940. Criada pelo brilhante matemático John von Neumann, é um sistema não biológico que pode se replicar. Von Neumann não estava pensando em exploração e colonização do espaço na época, mas outros pensadores, como Freeman Dyson, Eric Drexler e Robert Freitas,adotaram sua ideia exatamente justamente para isso.
Uma vez lançada ao espaço, uma SRP poderia viajar para um sistema estelar vizinho, e por meio de aplicações da robótica, montagem molecular, e inteligência artificial, buscar recursos para construir uma réplica exata de si mesma. Tudo o que precisaria fazer é encontrar um asteroide com os recursos materiais adequados.
ku-xlarge
Com base na sofisticação e finalidade da sonda, ela poderia estabelecer colônias em planetas apropriados (distribuir organismos biológicos ou robôs com inteligência artificial embutida, ou mesmo mentes pensantes virtualizadas). De forma mais simples, uma SRP poderia gerar sondas de Bracewell (uma sonda autônoma com o objetivo de procurar e se comunicar com civilizações alienígenas), o que poderia fazer contato com uma criatura inteligente ou uma civilização.
Depois da missão executada, ele geraria versões filhas de si mesmo, que seriam enviadas para o sistema estelar mais próximo.
O poder das SRP reside em sua capacidade de se replicar a uma taxa exponencial. A taxa inicial de exploração seria lenta, mas depois seria capaz de produzir, potencialmente, milhões e milhões de descendentes – a taxa de expansão aumentaria numa ordem de magnitude. Assim, mesmo a uma velocidade de cerca de um décimo da velocidade da luz, estas sondas podem abranger uma quantidade enorme de território num espaço de tempo relativamente curto, visto de uma perspectiva cosmológica.
O conceito da SRP tem alimentado grande parte do Paradoxo de Fermi, ou seja, a sugestão de que já deveríamos ter visto sinais de extraterrestres.

Estilingue dinâmico

E agora, com uma nova publicação de Arwen Nicholson e Duncan Forgan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, o Paradoxo de Fermi apenas ficou consideravelmente pior.
Problemas potenciais ou inibidores para a propagação SRP incluem a energia e o tempo necessário para viajar a distância entre as estrelas – anos-luz. Uma sonda autoconstrutora requer motores de propulsão e uma fonte de combustível não só seria complicada, seria também muito demorada.
Mas, de acordo com o novo estudo, que foi publicado no Jornal Internacional da Astronomia, aliens (ou nossos descendentes no futuro) poderiam usar o efeito estilingue para impulsionar SRPs de estrela para estrela – um efeito já conhecido, usado para mover as sondas Voyager através do nosso sistema solar, pulando de planeta para planeta. Mas, para que funcione numa escala galáctica, as SRPs usariam manobras de estilingue em torno de estrelas, ganhando um impulso também a partir do movimento de cada estrela ao redor do centro galáctico – uma energia gigantesca, capaz de jogar estrelas e planetas pra fora da galáxia.
ku-xlarge (1)
Estas manobras têm pouco ou nenhum custo de energia extra.

A autorreplicação em tempo real

Curiosamente, Nicholson e Forgan assumiram a hipótese de que a sonda recolhe matéria (como poeira e gás) a partir do meio interestelar à medida que viaja através do espaço. Ela pode, literalmente, construir réplicas de si mesma enquanto está viajando – sem precisar de paradas.
“Uma sonda pai chega a nova estrela destino, e antes de se lançar no próximo estilingue enquanto dá voltas em torno da estrela, libera uma sonda réplica”, eles observam no estudo. “Tanto a sonda pai quanto a réplica usam o estilingue para aumentar a sua velocidade. À medida que o impulso de velocidade a partir de uma trajetória estilingue depende do ângulo entre as estrelas, a sonda pai e a réplica vão conseguir diferentes impulsos de velocidade, e assim terão diferentes estrelas destino”.
Usando esta técnica, uma civilização alienígena poderia enviar sondas que viajam mais rápido que 10% da velocidade da luz para cada sistema solar único na galáxia em apenas 10 milhões de anos – uma quantidade de tempo significativamente menor do que a idade da Terra.

Então, por onde andariam essas sondas?

Isto significa que uma civilização alienígena poderia (e deveria) ter chegado em nosso sistema solar até agora.
Então, onde estão as sondas? Ou as colônias?
A primeira e desapontadora possibilidade é que estamos de fato sozinhos, e não existe civilização alienígena para enviar as sondas. Mas isso é estranho e altamente improvável.
Também é possível que as sondas já estejam aqui, mas sejam invisíveis para nós. Ou não temos a tecnologia para detectá-las, ou elas estão ociosas esperando por algum momento ou ato nosso – quem sabe passarmos por algum tipo de teste ou limiar tecnológico.
Uma coisa é certa: conforme concluíram os pesquisadores, o estilingue até a estrela mais próxima continua a ser a maneira mais eficaz em tempo e esforço para explorar uma população de estrelas. [Io9Journal of Astrobiology]

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O misterioso hexágono de Saturno fotografado a partir de luz visível pela primeira vez

O misterioso hexágono de Saturno fotografado a partir de luz visível pela primeira vez

Por  em 2.05.2013 as 11:02
"A Rosa"
“A Rosa”
Desde sua descoberta, nos anos 1980, a tempestade hexagonal do polo norte de Saturno tem provocado curiosidade e especulações, até por parte dos cientistas. Recentemente, a sonda Cassini pode fazer uma passagem próxima e registrá-la em fotos e vídeo.
A partir desses dados, os cientistas sabem agora que o olho do furacão tem cerca de 2.000 km de diâmetro, 20 vezes maior que o tamanho médio do olho de um furacão terrestre. As nuvens finas e brilhantes na borda do furacão estão viajando a 150 metros por segundo dentro de uma estrutura maior, conhecida como o hexágono.
O furacão em Saturno tem diferenças substanciais em relação aos terrestres: praticamente não tem água, é muito maior, e gira a uma velocidade surpreendentemente rápida. Mesmo assim, ao estudar como o furacão de Saturno faz uso da pouca água do gigante, os cientistas esperam aprender alguma coisa sobre como são gerados e como se sustentam os furacões terrestres.
Outra diferença importante é que os furacões terrestres movem-se, enquanto este furacão parece estar preso no polo norte de Saturno. Possivelmente as mesmas forças que movimentam os furacões terrestres em direção ao norte mantenham o furacão de Saturno no seu polo norte.

Furacão antigo

A primeira imagem deste furacão e desta estrutura hexagonal foi feita pela sonda Voyager, quando passou pelo planeta na década de 1980. E a estrutura se manteve por mais de vinte anos, até a chegada da sonda Cassini.
Quando a nova nave chegou ao planeta, em 2004, o polo norte de Saturno estava escuro, pois era inverno naquele hemisfério. Ainda assim, a sonda captou imagens e dados com o espectrômetro de infravermelho.
2 - 744878main_pia14945-946
  • Misterioso hexágono de Saturno é fotografado de perto
  • O mapeamento de infravermelho revelou um enorme vórtex, mas uma imagem com luz visível só foi possível com a passagem do equinócio de Saturno, em agosto de 2009. E, para ver o polo, foi preciso modificar o ângulo da órbita da Cassini em torno de Saturno, uma manobra que depende da passagem pela lua Titã e requer planejamento cuidadoso, com anos de antecedência, para garantir que a espaçonave terá combustível para atingir outras órbitas planejadas e fazer outros encontros espaciais.
    3
    Nas imagens acima, as fotos que mostram o furacão na cor vermelha são imagens de cores falsas (tratadas para representar certos comprimentos de onda com cor diferente da natural, para destacar aspectos que os cientistas querem estudar).
    A primeira, chamada “A Rosa“, mostra nuvens baixas em vermelho e nuvens altas em verde. Esta imagem foi feita na verdade em novembro de 2012 e este tempo todo esteve sendo preparada para ser publicada. A imagem original, antes do processamento, pode ser vista aqui.

    quarta-feira, 3 de julho de 2013

    Foto: Zeta Ophiuchi, a “destruidora de mundos”

    Foto: Zeta Ophiuchi, a “destruidora de mundos”

    Por  em 19.12.2012 as 13:00
    Um monstro viaja pelo espaço: a estrela Zeta Ophiuchi, seis vezes mais quente, oito vezes mais larga, 20 vezes mais massiva e 80 mil vezes mais brilhante que o sol se desloca a uma velocidade igualmente impressionante de 24 quilômetros por segundo, ou seja, 86.400 km/h.
    A imagem acima, capturada pela NASA usando o Telescópio Espacial Spitzer, mostra a gigantesca estrela azul avançando sobre uma grande cortina de poeira espacial. Conforme se move, Zeta Ophiuchi emite fortíssimos ventos estelares, que carregam partículas de gás quente meio ano-luz à frente – “quase 800 vezes a distância entre o sol e Plutão”, segundo a NASA. “A velocidade dos ventos, somada ao movimento supersônico da estrela, resulta na espetacular colisão que vemos aqui”. Não é por acaso que a nuvem se desloca diante da estrela.
    O encontro entre o vento estelar e corpos espaciais é chamado de choque em arco (“bow shock”, em inglês) e normalmente emite luz visível mas, neste caso, por causa da cortina de poeira estelar, apenas certas ondas infravermelhas foram captadas pelo telescópio Spitzer.
    Felizmente, a monstruosa Zeta Ophiuchi está viajando a cerca de 370 anos-luz da Terra – com tamanha potência, não seria nada bom se ela resolvesse passar perto do nosso sistema solar.[Gizmodo] [NASA]

    quinta-feira, 27 de junho de 2013

    Três planetas habitáveis são descobertos orbitando uma estrela-mãe

    Por  em 26.06.2013 as 15:57
    Artist's impression of the Gliese 667C system
    Um estudo de colaboração internacional descobriu três planetas potencialmente habitáveis – um recorde – orbitando a mesma estrela.
    Estudos anteriores haviam sugerido que uma estrela próxima à Terra, Gliese 667C, tinha três planetas em sua órbita, dos quais apenas um podia suportar a vida. Localizada a cerca de 22 anos-luz de distância, Gliese 667C faz parte de um sistema de três estrelas – a vizinhança é uma das mais populosas do planeta.
    Agora, Guillem Anglada-Escudé da Universidade de Göttingen, na Alemanha e seus colegas reanalisaram os dados originais e adicionaram novas observações. Eles encontraram, na realidade, evidências de até sete planetas nesse sistema, incluindo três rochosos na zona habitável da estrela, onde as temperaturas são adequadas para a vida como a conhecemos.
    “Cinco [dos planetas] foram solidamente detectados por qualquer padrão”, explica Anglada-Escudé. “Isso inclui todos os três candidatos da zona habitável”.
    Esta é a primeira vez que três planetas de baixa massa são vistos na zona habitável de um mesmo sistema de estrelas, e é improvável que os astrônomos encontrarão mais– a região em torno de Gliese 667C já está lotada, o que torna impossível para outro planeta orbitar de forma estável.
    “O número de planetas potencialmente habitáveis em nossa galáxia é muito maior se pudermos esperar encontrar vários deles em torno de cada estrela – em vez de olhar para 10 estrelas, podemos olhar para apenas uma e encontrar vários deles”, argumenta Rory Barnes, da Universidade de Washington (EUA).
    original

    Alienígenas visitando alienígenas visitando alienígenas

    A equipe usou três espectrógrafos diferentes que podem detectar estrelas e planetas para observar o sistema. Gliese 667C é a estrela mais fraca do sistema triplo. Da superfície dos planetas em órbita em torno de Gliese 667C, as duas estrelas mais brilhantes seriam tão brilhantes quanto a lua cheia à noite e ainda brilhariam visivelmente durante o dia.
    Os cinco sinais mais fortes registrados pela equipe foram de planetas com 1,94 a 5,94 vezes a massa da Terra e menores que Netuno, o que os fez sugerir que são rochosos.
    Três estão dentro do que chamamos de zona habitável da estrela (uma órbita do tamanho de Mercúrio em torno do sol), uma distância adequada para garantir elementos como temperatura e água líquida para suportar a vida. Gliese 667C é mais fria e menos brilhante do que o nosso sol, o que torna possível para planetas com órbitas próximas permanecerem nesta zona.
    Estes três mundos estão perto o suficiente um do outro para que qualquer vida inteligente lá com capacidade de construir foguetes possa facilmente visitar seus vizinhos. “Foguetes maiores os levariam muito rapidamente de um planeta para o outro – um a dois meses, no máximo”, diz Anglada-Escudé.
    O próximo passo é encontrar uma forma de observar esses mundos à procura de sinais de vida – supondo que o novo trio de planetas habitáveis é mesmo real. Em 2010, dois pesquisadores foram aclamados e criticados quando alegaram ter encontrado o primeiro planeta rochoso potencialmente habitável em torno da estrela Gliese 581 – uma descoberta que outros não foram capazes de confirmar.
    Mas Anglada-Escudé não está preocupado: “Nós fizemos questão de ter muito cuidado e certeza neste momento”.[NewScientistHuffington]
    Como é o pôr-do-sol da Terra, e como seria nos três planetas da zona habitável da estrela
    Como é o pôr-do-sol da Terra, e como seria nos três planetas da zona habitável da estrela

    quinta-feira, 23 de maio de 2013

    ESTRELA GÊMEA SOLAR É DESCOBERTA POR CIENTISTAS BRASILEIROS


    ESTRELA GÊMEA SOLAR É DESCOBERTA POR CIENTISTAS BRASILEIROS

    Estrela gêmea solar é descoberta por cientistas brasileiros
    Uma estrela gêmea solar, chamada CoRot Sol 1, foi descoberta por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De acordo com a equipe envolvida, ela é a mais distante da Via Láctea e possui massa e composição química semelhantes às do Sol. Espera-se que, a partir disso, seja possível estudar como será a evolução da nossa estrela e testar teorias sobre o Sol.
    Apesar de serem parecidas, as duas estrelas apresentam algumas diferenças. A CoRoT Sol 1 tem aproximadamente 2 bilhões de anos a mais do que o Sol e conta com um brilho 200 vezes mais fraco. Contudo, o período de rotação das duas é praticamente o mesmo.Estrela gêmea solar é descoberta por cientistas brasileiros Os dados foram registrados pelo satélite CoRoT, lançado em 2006 e operado no Havaí. O estudo sobre a estrela gêmea solar será publicado em breve pela revista Astrophysical Journal Letters. A equipe de cientistas responsável pelo anúncio é composta por José Dias do Nascimento, da UFRN, que lidera o grupo; Jefferson Soares Costa e Matthieu Castro, também da UFRN; Yochi Takeda, do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ); Gustavo Porto de Mello, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Jorge Melendéz, da Universidade de São Paulo (USP). 
    Artigo relacionado
     

    segunda-feira, 6 de maio de 2013

    Qual é o propósito do universo?


    Por  em 5.02.2013 as 15
    original
    Se você ficar acordado à noite pensando no sentido do universo, provavelmente acabará em um manicômio. Por que o espaço, as estrelas, os planetas, nós existimos? Qual o objetivo de tudo isso?
    Eis uma pergunta que tem as mais variadas respostas – geralmente filosóficas. Sob a ótica científica, no entanto, há uma teoria interessante que dá uma espécie de “razão de ser” para o nosso universo e todos os objetos que flutuam nele. Se ela for verdade, significa que ele não passa de um gerador de buraco negro, ou um meio de produzir quantos universos bebês for possível.
    A teoria, chamada de Seleção Natural Cosmológica (Cosmological Natural Selection), foi conjurada por Lee Smolin, pesquisador do Instituto Perimeter de Física Teórica e professor adjunto de física da Universidade de Waterloo, ambos no Canadá.
    woodsman
    A ideia proposta por Smolin gira em torno do fato de que os processos darwinianos se aplicam mesmo à extrema macroescala do universo e a entidades não biológicas. Como o universo é uma potencial unidade de replicação, o cientista sugere que é sujeito a pressões seletivas. Por conseguinte, quase tudo o que o universo faz é voltado para a replicação.
    “É um cenário que explica como as leis da natureza são escolhidas”, disse Smolin. “Se a minha teoria for verdade, esses parâmetros no nosso universo são voltados para maximizar o número de buracos negros feitos”.
    Os buracos negros e suas singularidades cosmológicas são centrais para a teoria de Smolin. Estas são regiões do espaço-tempo nas quais as quantidades utilizadas para medir os campos gravitacionais ou de temperatura tornam-se infinitas, e a relatividade geral deixa de ser útil.
    Inner Turmoil of Growing Galaxies
    A relatividade geral clássica diz que uma singularidade existe dentro de cada buraco negro. Mas tanto a teoria das cordas quanto a gravidade quântica sugerem que as singularidades de buracos negros podem ser eliminadas – e quando isso acontece, pode ser possível descrever a evolução futura da região do espaço-tempo dentro dele.
    “Tudo o que cai em um buraco negro não atinge a singularidade cosmológica e para de evoluir, de modo que o tempo simplesmente chega ao fim – o tempo continua e tudo o que caiu no buraco negro teria um futuro, e essa região é o que chamamos de um universo bebê”, explica Smolin.
    Estes universos bebês são imunes a tudo o que acontece nos “universos pais”, incluindo inflação eterna e sua morte térmica. E, como a teoria de Darwin sobre a variação e seleção, Smolin também supõe que universos bebês são um pouco diferentes dos pais. Por sua vez, essa “mutação” cosmológica – em que os parâmetros da natureza foram ligeiramente modificados – pode resultar em um novo universo que é melhor ou pior em termos de capacidade de replicação.
    Por exemplo, se a constante cosmológica e velocidade da luz forem um pouco diferentes, ou se a lei da gravidade se tornar muito fraca ou forte, o novo universo poderia ser subótimo em sua capacidade de fazer grandes quantidades de estrelas de grande massa. Em tal universo, a matéria pode não ser capaz de fundir-se em estrelas, ou pode ser incapaz de formar galáxias.
    Neste modelo, um universo “adequado”, portanto, seria um que evoluísse de tal forma que a sua capacidade de produzir buracos negros fosse otimizada. E isso pode explicar porque observamos um universo que produz estrelas gigantes – cada uma é uma tentativa de fazer um universo bebê.
    A ideia da variação cosmológica, no entanto, é pura conjectura. “É uma hipótese”, admite Smolin.
    Mas a teoria das cordas pode ser um mecanismo potencial para explicá-la. “Ela descreve uma paisagem de diferentes parâmetros cosmológicos, transições de fase diferentes, e isso é quase exatamente o tipo de exemplo que eu tinha em mente quando tentei explicar a variação das constantes”, disse.
    Smolin também não sabe quantos universos bebês cada buraco negro é capaz de produzir, mas suspeita que seja um por buraco negro. “A resposta vai depender da teoria quântica da gravidade”, explica.

    Vida humana: acidente?

    Se o propósito do universo é criar o máximo de universos bebês possível, a vida humana é apenas um acidente? Os seres humanos e todos os outros organismos são um mero epifenômeno, um espetáculo à parte de um processo muito maior?
    “Se a hipótese da seleção natural cosmológica for verdadeira, então a vida – e o universo sendo amigável à vida – é uma consequência do universo ser bem adequado para a produção de buracos negros, produzindo muitas, muitas estrelas massivas”, disse Smolin, com ênfase no “se”.
    Outros cientistas argumentam, inversamente, que o universo é assustadoramente biofílico, ou seja, que as leis da natureza parecem ser orientadas para a vida. Alguns até sugerem que essa é a finalidade do universo – gerar organismos biológicos (a hipótese do biocosmo).
    Da mesma forma, os filósofos trazem à tona o Princípio Antrópico – a noção de que qualquer análise do universo e do que acontece dentro dele PRECISA levar em conta a presença de observadores (ou seja, vida inteligente). Sob essa ótica, estamos sujeitos a um efeito de seleção observacional, argumentam eles, o que significa que só podemos observar um universo que é amigável à vida.
    Smolin, por outro lado, deixa essas linhas de argumentação de lado, dizendo que os cosmólogos devem estudar e compreender as propriedades do universo de uma forma que não o conecte a vida.
    Segundo ele, o Princípio Antrópico é incapaz de fazer uma previsão falsificável para qualquer tipo de experimento testável (uma teoria só é científica se existe a possibilidade de serem concebidos testes que provem que é falsa, ou seja, se é falsificável), enquanto a seleção natural cosmológica é capaz exatamente disso.
    Além do mais, as leis do universo podem ser explicadas sem referência alguma a vida. Não é uma coincidência que vivemos em um mundo que tem muito carbono e oxigênio, segundo Smolin: a presença destes elementos aparentemente adequados à vida tem uma explicação perfeitamente boa fora do paradigma biofílico. Esses, por exemplo, criam as condições necessárias para a formação eficiente de estrelas suficientemente grandes que formam buracos negros.

    Críticas

    A teoria de Smolin parece extraordinária, mas não passou longe das críticas de outros cientistas.
    O cosmólogo Joe Silk, por exemplo, diz que o universo que observamos está longe de ser um produtor ideal de buracos negros. Ele especula que outras “versões” de universo poderiam fazer um trabalho muito melhor nisso.
    Da mesma forma, Alexander Vilenkin argumenta que a taxa de formação de buracos negros pode ser melhorada através do aumento do valor da constante cosmológica. Segundo ele, Smolin está errado em teorizar que os valores atuais de todas as constantes da natureza são perfeitamente ajustados para maximizar a produção de buracos negros.
    Já Ruediger Vaas reclama que o primeiro erro de Smolin foi fazer analogias com processos darwinianos. A aptidão dos universos de Smolin não é limitada pelo ambiente, mas pelo número de buracos negros. Além disso, embora os universos de Smolin tenham taxas de replicação diferentes, elas não competem entre si, o que ele considera um componente crucial de qualquer processo darwiniano.
    Segundo o professor de física teórica da Universidade de Stanford (EUA) Leonard Susskind, Smolin acredita que as constantes da natureza são determinadas pela sobrevivência do mais forte – o mais apto a se reproduzir -, que as propriedades que levam a maior taxa de reprodução dominarão a população de universos, e que a probabilidade esmagadora é que vivemos em tal universo – mas essa lógica pode levar a conclusões ridículas. No caso da inflação eterna, levaria à previsão de que nosso universo tem a constante cosmológica máxima possível, já que a taxa de reprodução não é nada a não ser a taxa de inflação.
    Smolin conhece essas objeções e disse que muitas dessas preocupações foram abordadas em seu livro, “A Vida do Cosmos” (publicado no Brasil pela editora UNISINOS), e que seu próximo livro, “Time Reborn: From the Crisis in Physics to the Future of the Universe” (em tradução livre, algo como “Tempo de renascer: da crise na física ao futuro do universo”), vai também enfrentar muitas dessas questões.
    “Minha impressão é que minha ideia ainda não foi refutada, embora várias pessoas tenham tentado”, disse. “Isso não significa que é verdadeira, mas que resistiu a tentativas de falsificá-la”.
    De acordo com Smolin, a parte mais importante da sua reivindicação é que é um argumento científico. “A ideia em si não é a coisa mais importante. Ela instancia uma reivindicação geral de que, se você quiser explicar o universo, uma das coisas que você vai ter que explicar é por vemos certas leis da natureza, e não outras. A alegação que estou fazendo é que esta questão pode ser de fato respondida cientificamente – uma alegação que vai nos levar em direção a uma maneira de fazer previsões para ver se as leis da natureza não são fixas, mas evoluem. Esse é o ponto chave para mim”, conclui.[io9,